
Mais um dia de bode amarrado no pé da minha cama. Esse bode ficava baforando no meu ouvido e não me deixada dormir. Aliás, várias coisas não me deixam dormir, mas hoje particularmente foi o bode mesmo que me impediu de tirar aquela pestana desejada depois de uma madrugada na “lavoura”. Resolvo então assistir um filme, pra chamar o sono. Vi the Reader, ótimo filme, ganhador do Oscar, mas depois de assistir, quase peguei a faca de plástico pra cortar os pulsos. Não recomendo aos que estão em tratamento de depressão, recentemente desquitados ou a quem simplesmente quer esquecer o bode da vida e se distrair um pouco.
Depois do filme, desisto de rolar na cama e começo a procurar uma papelada perdida numa caixa embaixo da cama. Eu, conhecido como um chato organizado, não tenho a mínima paciência/ânimo/vontade de organizar papéis, não sei por que, mas enfim, está tudo organizadamente perdido em uma caixa empoeirada embaixo da minha cama. Eis que de lá do fundo dessa caixa começam a sair relíquias do passado. Passado que está atolado de memórias de Rui & Vani, desde a época que a Érika ainda me chamava de michê, por conta do papel do Márcio Garcia na novela Celebridade. De onde vinha essa associação, eu não sei até hj...
Pra me torturar um pouco mais, eu começo a examinar cada papel, cada bilhete, tanta lembrança... Achei a autorização de débito em cartão de crédito da passagem dos EUA (onde tudo começou) achei um álbum de fotos com as últimas que tiramos no Paradise, fazendo pose no carrinho de golfe e rezando pro Sr. Horii não aparecer na hora. Achei várias cartinhas dos meus pais, e percebo como somos melosos quando estamos longe, e como não estamos nem ai quando estamos por perto... Encontrei vários endereços e telefones de gente que eu nem me lembrava mais, mas que na hora da despedida fizemos promessas de “I’ll keep in touch” mas cada um segue seu caminho e no fim, tudo se torna uma memória distante e feliz. Encontrei as fotos 5x7 que tirei pro visto canadense, que custaram uma fortuna, e que foram tiradas com a camiseta pólo vermelha do uniforme do SMR. Encontrei também o recibo do Money order da taxa do visto. Encontrei um print, quase que apagado, do itinerário de retorno dos EUA, os nomes apareciam como MR DUARTE/RODOLFO e MRS SARABANDO/ERIKA. Ai me vem a cabeça a reserva que foi feita em nome de SARA/BANDO quando tudo começou...
Já não bastava aquele aperto no peito de tanta saudade, eu peguei aquele livro que vc me deu no aeroporto, aos prantos, antes de vir embora. Dentro do livro tinha uma mensagem sua (que vai ficar em segredo só pra gente) e um envelope com uma cartinha sua e os meus cartões de embarque, quase apagados, mas que ainda estão legíveis. No dia 28 de Agosto de 2007, as 19h25, encerrava o capítulo mais triste do nosso seriado. Rui & Vani voltaram a ser só Rodolfo aqui e Érika ai, pois Rodolfo não pode ser Rui sem Érika e Érika não pode ser Vani sem Rodolfo. Mas enfim, esse seriado vai virar um longa-metragem daqui alguns dias, e eu vou estar na première na primeira poltrona. Não vejo a hora!!!
Rodolfo
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