quarta-feira, 18 de março de 2009

Síndrome de intercambista Brasileiro nos EUA

Voltando do meu terceiro intercâmbio (pois é, sou viciado) no exterior, presenciei mais uma vez as conversas vazias e inconsistentes de vários brasileiros que voltam dos EUA, depois de uma farra na terra do Tio Sam. Só consigo abominar cada vez mais a opinião da classe média brasileira em relação ao Brasil, suas opiniões, clichês e manias. Sinto-me um idiota por um dia ter feito parte desta “catiguria”

Assim como a maioria dos Brasileiros presentes naquele vôo, eu e Érika, a idealizadora deste Blog, ao final de um ano e meio de intercâmbio, estávamos voltando ao Brasil com um par de Nike Shox nos pés e um Ipod no ouvido. Ao chegar aos EUA pela primeira vez, é impossível não se deixar influenciar pela cultura consumista do Tio Sam. Imagine um mundo perfeito, onde pessoas loiras de olhos azuis sorriem acolhedoramente e dizem “How are you doing today?” E logo em seguida te apresentam todas as marcas e luxos que nunca antes estiveram ao seu alcance, a preços mórbidos? A minha primeira reação foi deixar vários paychecks nas lojas, e levar para casa tudo o que eu achava que me fazia feliz. Como qualquer outro, eu havia me integrado ao sistema capitalista que toma conta do mundo.

Assim como outros intecambistas do avião, a minha opinião em relação ao Brasil era de que o meu país não passava de um buraco atrasado, onde tudo demorava a chegar e a acontecer. Tudo era mais fácil, mais bonito, mais organizado nos EUA. Ganhar dinheiro era simples e não requeria muito esforço, e gastar era um prazer. A minha meta era comprar tudo o que eu não poderia comprar no Brasil.

Depois de uns meses longe da família, amigos e do meu país, eu comecei a me questionar o que realmente era importante na minha vida. Eu precisava mesmo de tudo isso? Era tão necessário assim poder comprar comprar e comprar? Nada disso me fazia feliz, e nem me completava. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de comprar coisas boas por preços baixos, mas o que me irrita são as vantagens contadas e a presunção dos indivíduos que as contam. “Comprei um laptop maneiro por ninharia...” e logo vem outro querendo se sobressair “Achei um melhor por um preço incrível! No Brasil tudo custa caro...” E assim começa a conversa sobre o tênis, a câmera, a roupa, o perfume... E o pior, a comparação do Brasil com os EUA “O Brasil é uma merda, não dá pra comprar nada! Tudo é muito caro, uma roubalheira, uma zona, uma sujeira, corrupção...”

Não fecho meus olhos para os problemas do Brasil, mas quando vou ao exterior, procuro mostrar o que temos de melhor. Ninguém fala o quanto os americanos podem ser mal educados ao atender um cliente. Qualquer boteco do Brasil pode dar de 10 a 0 no atendimento de qualquer estabelecimento americano. Ninguém fala sobre preconceitos sofridos por estrangeiros trabalhando nos EUA. Os sapos que tiveram que engolir por parte dos desavisados americanos que acham que brasileiro fala espanhol, e que a gente mora no meio da floresta. O pior de tudo é ver um universitário brasileiro super bem capacitado, lavando pratos e recebendo ordens de um imbecil arrogante que nem completou o ensino médio. E depois ainda fica vangloriando os americanos e sua nação, além de falar mal do Brasil.

Com certeza temos muito que melhorar, mas para melhorar, temos que começar a agir, e não criticar o Brasil e continuar não fazendo nada. Viajar ao exterior para fazer compras é mais fácil do que exigir do nosso governo soluções aos nossos problemas. É claro, isso é muito mais difícil e chato. A política é chata, ninguém gosta de se ocupar com esses assuntos. Mas tenha certeza de que se você não se ocupa com a política, a política se ocupa com você.


Rodolfo

Um comentário:

  1. Hahaha... ao mesmo tempo que eh tragico eh comico. Neste exato momento escrevo dos EUA (percebe-se pela falta de acento nas palavras). Nao volto com um ipod no ouvido, e sim com um notebook estragado!

    Fala serio, agora fiquei revoltado. Nem isso eles sao capazes de fazer direito! Tio Sam, mais uma vez, vc me decepcionou.

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