Nem dá pra acreditar como eu passo por tantos altos e baixos nessa vida. Não faz nem uma
semana, cheguei de Nova York, me sentindo o cidadão do mundo, depois de tomar uma breja no Fridays da Times Square e andar pelas ruas do Soho. Do aeroporto, depois dos abraços e beijos na família que há três meses não via, fui direto ao Poupa Tempo dar entrada no meu seguro-desemprego. Que decadência não?? Chego de Nova York e vou direto enfrentar 3 horas de fila num órgão público... Este é um verdadeiro módulo de introdução à pobreza. Pois é, e o pior são as conversas que a gente escuta na fila. Todos os desempregados da fila culpavam a tal “crise” sem nem entender direito do que se tratava (mas deu na "Grobo" então tá todo mundo sabendo). Gente simples, chefes de família que agora têm que espremer o orçamento para poder se virar com o seguro-desemprego.
Sabe o que acho engraçado? O ano de 2007 foi considerado um dos melhores da economia brasileira, tanto na arrecadação de impostos, quanto no faturamento das empresas. E então, ao menor sinal de desconfiança do mercado, as mesmas empresas que encheram os burros de dinheiro há pouco mais de um ano, agora estão em dificuldades e realizam demissões em massa. É engraçado como a base da pirâmide é sempre a que mais sofre... E para driblar a crise, os líderes mundiais tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para estancar o sangramento de quem sempre só explorou e lucrou em cima do assalariado: Bancos e investidores. Quanto tempo será que alguma parcela deste dinheiro vai demorar para ser direcionada à geração de empregos?
Bom, o meu segundo módulo de introdução à pobreza foi no dia seguinte à minha chegada, quando enfrentei a burocracia da Caixa Econômica Federal, para o resgate de meu fundo de garantia. Mais tarde, peguei o trenzão em direção a zona leste de São Paulo, ai pirei de vez, não teve jeito (Quem usa o transporte público na Zona Leste de São Paulo sabe do que estou falando). O povão querendo entrar no vagão, e eu querendo sair, ai vira aquele vuco vuco do inferno. Um transeunte muito educado veio arrastando todos e algum pedaço de sua mochila arranhou meu braço e eu saí de lá sangrando. Ai eu penso, “O que eu estou fazendo aqui meu Deus?? Isso não é lugar pra mim...”
No fundo (bem perdido lá no fundo), eu ainda tenho esperança neste país, sabe? Acho que é por isso que sempre volto. Nos dias em que estou mais revoltado, eu quero matar um indivíduo que empurra todo mundo no trem só pra tentar pegar um lugar vazio e ir sentado. Bom, muitas vezes o povo empurra é pra conseguir entrar mesmo, se não fica para fora e tem que esperar o próximo trem. No fundo (bem perdido lá no fundo) o animal que empurra todo mundo só quer ir sentado depois de um longo dia de trabalho. De quem é a culpa? Do governo que não proporciona transporte público de qualidade? Ou do indivíduo que não vota direito?? Esta é a pergunta que não quer calar...
Pode ser um ciclo vicioso, o indivíduo não vota direito porque não tem educação, que por sua vez não é provida pelo governo. Ai o indivíduo sempre vota na mesma corja que não proporciona educação, e assim vai...
Eu tenho uma teoria. Acho que a culpa é do jeitinho brasileiro. Todo brasileiro sabe que é muito mais gostoso quando se pode tirar vantagem de algo. Por isso o índice de reeleição dos prefeitos que investem em educação é baixo. Segundo uma pesquisa do Unicef e do Ministério da Educação, de 37 municípios brasileiros onde a educação ia bem, apenas 16 reelegeram seus prefeitos. Por que votar em alguém que investe em escola? O povo quer mesmo é dentadura, cesta básica, bolsa esmola, sombra e água fresca, não é?
Rodolfo
Sabe o que acho engraçado? O ano de 2007 foi considerado um dos melhores da economia brasileira, tanto na arrecadação de impostos, quanto no faturamento das empresas. E então, ao menor sinal de desconfiança do mercado, as mesmas empresas que encheram os burros de dinheiro há pouco mais de um ano, agora estão em dificuldades e realizam demissões em massa. É engraçado como a base da pirâmide é sempre a que mais sofre... E para driblar a crise, os líderes mundiais tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para estancar o sangramento de quem sempre só explorou e lucrou em cima do assalariado: Bancos e investidores. Quanto tempo será que alguma parcela deste dinheiro vai demorar para ser direcionada à geração de empregos?
Bom, o meu segundo módulo de introdução à pobreza foi no dia seguinte à minha chegada, quando enfrentei a burocracia da Caixa Econômica Federal, para o resgate de meu fundo de garantia. Mais tarde, peguei o trenzão em direção a zona leste de São Paulo, ai pirei de vez, não teve jeito (Quem usa o transporte público na Zona Leste de São Paulo sabe do que estou falando). O povão querendo entrar no vagão, e eu querendo sair, ai vira aquele vuco vuco do inferno. Um transeunte muito educado veio arrastando todos e algum pedaço de sua mochila arranhou meu braço e eu saí de lá sangrando. Ai eu penso, “O que eu estou fazendo aqui meu Deus?? Isso não é lugar pra mim...”
No fundo (bem perdido lá no fundo), eu ainda tenho esperança neste país, sabe? Acho que é por isso que sempre volto. Nos dias em que estou mais revoltado, eu quero matar um indivíduo que empurra todo mundo no trem só pra tentar pegar um lugar vazio e ir sentado. Bom, muitas vezes o povo empurra é pra conseguir entrar mesmo, se não fica para fora e tem que esperar o próximo trem. No fundo (bem perdido lá no fundo) o animal que empurra todo mundo só quer ir sentado depois de um longo dia de trabalho. De quem é a culpa? Do governo que não proporciona transporte público de qualidade? Ou do indivíduo que não vota direito?? Esta é a pergunta que não quer calar...
Pode ser um ciclo vicioso, o indivíduo não vota direito porque não tem educação, que por sua vez não é provida pelo governo. Ai o indivíduo sempre vota na mesma corja que não proporciona educação, e assim vai...
Eu tenho uma teoria. Acho que a culpa é do jeitinho brasileiro. Todo brasileiro sabe que é muito mais gostoso quando se pode tirar vantagem de algo. Por isso o índice de reeleição dos prefeitos que investem em educação é baixo. Segundo uma pesquisa do Unicef e do Ministério da Educação, de 37 municípios brasileiros onde a educação ia bem, apenas 16 reelegeram seus prefeitos. Por que votar em alguém que investe em escola? O povo quer mesmo é dentadura, cesta básica, bolsa esmola, sombra e água fresca, não é?
Rodolfo
A algum tempo atrás eu me identificava com o autor em relação a esperança sobre o Brasil. Mas hoje em dia, essa esperança no fundo do poço se transformou em pó. Não por acaso. Muitas vezes gosto de ver nosso jeitinho brasileiro. Mas o BOM jeitinho brasileiro. O daquele sujeito que acorda as 4 da matina, enfrenta lotação, as adversidades do dia-a-dia, ganha mal e ainda chega no final do mês e consegue sustentar seus 4 filhos. Além, é claro, de arrumar um tempinho no final de semana para queimar uma carne, jogar um truco, e sorrir. Esse é o BOM jeitinho brasileiro.
ResponderExcluirO outro jeitinho brasileiro não deve ser chamado de "jeitinho brasileiro". Isso é uma calunia. Na minha humilde opinião, este se chama "falta de ética e educação". Sem essas palavrinhas mágicas, os policias aceitam ser subornados, empurram-se as pessoas no metro para conseguir um lugar para sentar, vota-se no indivíduo que lhe ofereceu um trocado... e por aí vai.
Isso sim é difícil de mudar. Mudar as pessoas e seus comportamentos. Essa seria a grande mudança. Colocar asfalto na rua não é muito difícil. Basta alguns trocados recolhidos das pessoas que aqui trabalham. Contruir hospital, ponte, também não é muito difícil. Mas será este tipo de mudança que construirá um pais melhor? Se um pai não tem ética e educação, porque seu filho terá?! Se eu não respeito o limite de velocidade com meu filho no banco de trás, porque ele respeitará quando estiver apto a dirigir?! Neste pais sempre existirão pessoas que levarão "ferro" porque sempre existirão pessoas querendo passar por cima das outras.
É por esses e outras que eu não acredito em melhorias no Brasil. Podem sim existir, mas serão insuficientes para alcançarmos altos IDH. Sou brasileiro e amo meu pais. Temos o pais que merecemos. Somos parcialmente culpados por isso.